Entrevistando : Mark Lawrence

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Mark-LawrenceÉ exultando de felicidade que trazemos essa breve entrevista para vocês! A primeira de muitas – eu espero – do blog. É pra estrear em grande estilo, vamos conhecer um pouquinho mais sobre um dos autores contemporâneos de sucesso da literatura fantástica internacional.

Lançado aqui pela editora Darkside, a saga Broken Empire – Trilogia dos Espinhos aqui no Brasil – conta estória de Jog, o príncipe de Ancrath, em busca de vingança e poder. Se você não conhece a série ainda, pode encontrar as resenhas dos primeiros livros aqui, é conhecer um pouquinho mais sobre o medieval-futurista-polemico de Mark Lawrence! O encerramento da série vai ser lançando ainda esse mês aqui, mas ainda não tem data marcada! #CorreDarkside

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Imagem : Darkside books

Vale ressaltar em como ele foi atencioso com o a gente! Além nos dar a entrevista, respondeu duvidas em relação a série com muita paciência. É ótimo quando um dos seus autores preferidos é tão considerado com seus leitores! Bem, chega de enrolar, aqui vai :

I- Jorg é sem dúvida um personagem complexo. Você usou algo ou alguém como inspiração para escrever o príncipe – Imperador – de Ancrath?

A inspiração inicial para Jorg veio do personagem principal no livro de Anthony Burgess, de 1962, A Clockwork Orange. É de onde tirei a idéia para um jovem violento e cruel que também era muito inteligente, charmoso e engraçado. Obviamente, ao longo da trilogia, ele torna-se muito mais do que esses cinco adjetivos.

II- Qual foi o seu maior desafio para descrever as emoções deste personagem?

Eu não achei desafiador descrever as emoções de Jorg. Colocar as coisas em palavras nunca foi um problema para mim. Eu acho que a parte mais complexa para o leitor é entender que há muito mais acontecendo do que o que Jorg diz. Por exemplo, só porque Jorg diz que não se preocupa com alguma coisa não significa que ele realmente não o faz.

III- Apesar de anteriormente ter um universo medieval, no curso temos várias citações ao cristianismo e filósofos como Nietzsche. Ao mesmo tempo nós temos a presença de vestígios de tecnologia, dando assim uma nova perspectiva, uma visão pós-apocalíptica. Esta era a sua intenção inicial ou foi algo que fluiu naturalmente?

Eu não planejo meus livros, por isso não foi a minha intenção inicial (nem era contra a minha intenção inicial). Claramente, a partir da primeira vez que eu mencionei algo que amarrou a história para o nosso mundo, a história foi ligada ao nosso mundo. E cada vez que eu mencionei algo que indicou a estória para se passar em um determinado período no tempo … a história foi criada passando nesse período. Em outras palavras – nada é mencionado por engano, mas não havia um plano estabelecido, a história cresceu como eu disse.

IV- O último livro da série ainda não foi lançado aqui no Brasil. No primeiro e segundo livro notamos uma mudança significativa em Jorg, um amadurecimento, talvez até mesmo a redenção para alguns, podemos esperar mais mudanças em nosso protagonista odiado/amado?

Em Emperor of Thorns vemos Jorg aos 20 anos. Se eu escrever um personagem dos 14 aos 20 e você não vê qualquer alteração, então eu não estou escrevendo muito bem! Fantasia tradicional parece exigir uma redenção em qualquer personagem que tem se comportado ‘mal’. Eu não senti qualquer compulsão para manter essa convenção.

V- Você teve alguém como inspiração ao escrever?

Não, eu não acho que já me inspirei em uma pessoa real. Isso não quer dizer que eu não tente torná-los reais.

VI- Como surgiu a idéia de escrever esta estória? O que você estava fazendo?

Eu nunca tive uma ideia para a estória – Eu só comecei a escrever. Eu nunca soube que a estória estava indo ou como um capítulo terminaria. É apenas um processo de perguntar: “O que acontece a seguir?”. Eu comecei com uma idéia para um personagem – então a segui.

VII- Qual é o seu autor favorito?

Autor favorito vivo: George R R Martin. Autor favorito: JRR Tolkien.

VIII – Entre os irmãos tem algum que você tem um carinho especial? Se sim, por quê?

Eu acho que o que eu mais gostei de escrever, acima da maioria, de forma que seria meu favorito foi Sir Makin. Talvez eu o achei interessante porque ele é mais velho e seu instinto é ser bom, mas a personalidade de Jorg é tão forte que ele leva Makin longe do caminho que ele iria escolher. Faz uma dinâmica interessante.

IIX- Como seu trabalho como cientista influenciou a sua escrita?

Eu não acho que tenha influenciado.

IX- Para aqueles que estão esperando o lançamento do último livro da trilogia aqui no Brasil,você pode nos dizer o que nos espera no Emperor of Thorns?

Tudo o que eu poderia fazer é repetir as palavras na parte de trás do livro. Se você pensar sobre isso – eu estou tentando despertar seu interesse no livro? Somente as pessoas que leram os dois primeiros … e se eu não pude interessar as pessoas com dois livros inteiros para fazê-lo … então como é que 100 palavras aqui vão ajudar? O ponto em que eu quero que o leitor se familiarize com qualquer parte do livro é o ponto onde eles se transformam nessapágina. Eu quero muito ler o próximo livro de George RR Martin – mas se ele se oferecer para me dizer sobre isso (e eu tive muitas oportunidades para encontrá-lo) eu não gostaria de ouvir.

Esperar é difícil, mas é a melhor coisa a fazer.

O caminho para o trono está destruído – Apenas os destruídos podem trilhá-lo.
O mundo está rachado e o tempo se esgotou, deixando-nos agarrados aos dias finais. Estes são os dias que tem esperado por nós durante toda nossa vida. Estes são meus dias. Eu estarei diante dos Cem e eles irão ouvir. Eu irei tomar o trono, não importa quem fique em meu caminho, vivo ou morto, e se eu devo ser o último imperador, então farei disso um final e tanto.
Aqui é onde o homem sábio se afasta. Aqui é onde o santo se ajoelha e clama por Deus. Estas são as últimas milhas, meus irmãos. Não olhem para mim, esperando que eu os salve. Corra se possui inteligência. Reze se possui alma. Mantenha sua posição se tiver coragem. Mas não me siga.
Siga-me, e eu partirei seu coração.

X- Você pode nos contar um pouco sobre você? Quem é Mark Lawrence?

Sou casado, com quatro filhos, minha filha mais nova está com uma deficiência grave e eu gasto muito tempo cuidando dela. Meu trabalho como um cientista de pesquisa focava em vários problemas bastante difíceis no campo da inteligência artificial. Eu segurei informações secretas com dois governos , o Americano e o do Reino Unido. Em um ponto eu estava qualificado para dizer ‘isso não é ciência de foguetes … oh espere, ele realmente é “. Eu não tenho tempo para muitas coisas nestes dias fora do trabalho, escrevendo e cuidando da minha filha. Tenho saudades dos meus jogos de computador!

XI- Claro que sabemos que não depende apenas de você, mas nós temos chance de ver Mark Lawrence dando uma sessão de autógrafos no Brasil?

Infelizmente não. Eu só estive a mais de 10 milhas da minha casa duas vezes nos últimos dez anos. Minha filha requer uma enorme quantidade de cuidado e embora peçamos ajuda, os encarregados de educação só vêm por algumas horas e ainda precisam de mim para levantá-la.

Eu fui para o Brasil antes . Eu voei pro Rio para uma conferência científica de algumas horas ao longo da costa. É um ótimo lugar.

XII- Que conselho você daria para novos autores?

Para os autores (e não para as pessoas escrevendo e esperando para serem autores), eu diria que eles precisam obter mídias sociais e interagir com os seus leitores. Em primeiro lugar, porque é muito divertido, e em segundo lugar, é muito difícil de ser notado, há um grande número de livros que saem no gênero a cada mês, de modo que você quer fazer tudo o que puder para que as pessoas saibam que você existe!

XII- Mark, quais os personagens da trama você teve mais dificuldade em criar?

A verdade é que eu não encontrei dificuldade em qualquer parte do livro. Eu coloquei os meus dedos sobre o teclado e a história fluiu. Nunca houve um momento de agonia sobre o que escrever a seguir, ou se um personagem ou capítulo estava funcionando.

XIV- Sabemos que o livro acaba de ser lançado, mas você poderia falar um pouco sobre seu novo livro ,Prince of Fools?

Em The Prince of Fools a estória se passa no mesmo cenário, como na trilogia Broken Empire, e ao mesmo tempo é um mundo grande – não há espaço de sobra. É uma fantasia sombria, mas com mais humor do que a trilogia Empire Broken. O personagem principal é (como Jorg de Prince of Thorns) da realeza, mas a sua personalidade é muito diferente. Ele não é ambicioso, ele é um covarde e um trapaceiro mentiroso, e seus principais interesses são o vinho, as mulheres e os jogos de azar. Ele é sugado para uma aventura contra a sua vontade e passa a maior parte de seu tempo tentando escapar. Seu caminho cruza brevemente com Jorg e ele conhece outros personagens vistos na primeira trilogia.

XV – Você pode enviar uma mensagem para seus fãs brasileiros?

Obrigado por ler o meu trabalho e por seu entusiasmo. Prince of Thorns foi publicado em mais de 20 línguas e um grande número de livros foram vendidos, mas em nenhum lugar tem tido a reação mais calorosa, positiva e amigável do que no Brasil!

adm

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2 comentários em “Entrevistando : Mark Lawrence

    kamidao disse:
    27 de outubro de 2014 às 21:33

    “mas em nenhum lugar tem tido a reação mais calorosa, positiva e amigável do que no Brasil!” Caramba, incrível #_#

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      itgeekgirls respondido:
      29 de outubro de 2014 às 16:35

      Demais, não é? *-*
      Ficamos feliz por você ter gostado da entrevista,
      Abraços e volte sempre! 🙂

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