Resenha : O Sangue do Cordeiro – Sam Cabot

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11188409_980500255308243_1076186518218749970_n“Este documento, querida amiga, vai abalar a Igreja.”Ao ler essas palavras em uma carta encontrada em um arquivo empoeirado, Thomas Kelly fica cético. O documento citado na correspondência está desaparecido, mas Thomas, padre da ordem dos jesuítas, duvida que exista algo com tal poder – até ser convocado ao Vaticano para iniciar uma busca desesperada por ele.

Enquanto isso, diante de um conselho formado por seus superiores, Livia Pietro recebe instruções claras: encontrar um padre jesuíta recém-chegado a Roma e juntar-se a ele na procura da Concordata, um tratado que contém um segredo tão chocante que poderá destruir para sempre todo o povo de Livia.
Enquanto pistas cifradas do passado lançam os dois em um universo traiçoeiro repleto de obras de arte, maquinações religiosas e conspirações, eles são caçados por pessoas capazes de tudo para achar o documento primeiro. Thomas e Livia, então, precisam correr para montar o quebra-cabeça capaz de redefinir os rumos da história e evitar o caos e a destruição que a revelação da Concordata poderá causar. Livia, porém, tem um segredo: ela e seu povo são vampiros.

Esse documento, querida amiga, vai abalar a igreja.

É com essa afirmativa que temos inicio O Sangue do Cordeiro, livro escrito por Sam Cabot – pseudônimo dos escritores Carlos Dews e S. J, Rozan. – e lançado pela Editora Arqueiro em abril. Se você leu a sinopse deve saber que é uma fantasia sobrenatural; apenas esqueça todos os conceitos que você tinha de ‘vampiros’ e vá mais longe, esqueça todos os livros do tema que você leu. O livro trilha um caminho original na fantasia, criando um conceito novo para os vampiros; os queridinhos da ficção contemporânea. Aqui eles são chamados noantris; e ao contrario do Conde Drácula, não vivem reclusos em um castelo escuro. Os vampiros – ou noantris, como você quiser se referir. – são pessoas mudadas por uma célula defeituosa a séculos. Eles apreciam um bom sanduíche tanto quanto você; são historiadores e extremamente sociáveis; alguns até participaram de movimentos revolucionários! Também esqueça as cruzes e o alho, aqui eles podem ser tão religiosos quanto os humanos mais devotos e alho só no spaghetti. 

Ela insistiu em usar a palavra “noantri”.É um termo em romanesco, uma contração de ‘noi altri’,  que significa “nós outros”.Os moradores de Trastevere reference-se a si mesmos usando essa palavra, mas ela disse que não é o único significado, que o termo se refere  também ao povo dela.

-Povo dela? Thomas, quem é o povo dela?

Thomas ergueu os olhos mais uma vez para Lorenzo. Por que o cardeal parecia tão solene? Thomas deu um sorriso contraído. Percebeu que estava ficando bêbado e que aquilo era a coisa mais absurda que poderia  dizer a Lorenzo. Num gesto dramático, ergueu a mão para o teto.

-Vampiros!

A estória gira em torna da busca pela Concordata: um acordo assinado pelo papa Martinho V e os noantri a séculos. Ele esteve em segredo por todo esse tempo, até que Mario Damiani rouba a copia do vaticano no século XIX. Ele pretendia revelar a existência dos vampiros ao mundo usando esse documento, mas é impedido antes; e o documento nunca foi encontrado. Então muitos anos depois, um noantri ameaça o conclave – um tipo de concelho que governa todos os vampiros. – a revelar a existência deles ao mundo usando esse documento, até então perdido,se eles não fizerem isso antes. Assim para impedir a grande revelação , o conclave ordena que Livia Pietro, a noantri responsável pela mudança do chantagista, encontre a Concordata.

E ao mesmo tempo, no Vaticano tem inicio a mesma busca: o padre Thomas Kelly assume a tarefa de trazer a Concordata de volta ao Vaticano. Ele já estava no caminho do documento por acidente e a pedido de seu amigo e tutor ele começa a busca.

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Os caminhos de Livia e Thomas acabam se cruzando logo de início e a busca pelo documento perigoso corre cheia de enigmas e  referencias históricas. Em certos aspectos a narrativa lembra muito os livros do Dan Brown, mas ele acaba se desenrolando mais rápido; a escrita é fluida, mas não deixa de ser detalhista. Eu amei o cuidado que ele teve em descrever a arquitetura sem ser demasiado cansativo.

Os personagens foram bem desenvolvidos, é olha que eram muitos e cada um bem diferente do outro. O personagem que mais me chamou a atenção foi o padre Thomas Kelly; ele passa por varias etapas durante o livro e cada uma vai te dando uma perspectiva maior sobre ele e a situação no geral. Ele começa como um personagem um pouco chato, o clichê de um padre historiador, e então pula para um conservador cheio de pensamentos infantis e pequenos quando descobre a existência dos noantri e o fato que vai se encontrar obrigado a trabalhar com uma. Com o tempo ele vai se abrindo e é muito legal acompanhar a mudança do personagem.

Thomas poderia ter continuado argumentando que a figura de Satã era apenas uma metáfora , uma manifestação da capacidade humana para a crueldade. Ou, também, a expressão do mal que existia no universo, em contraposição com a bondade de Deus. No momento, porém, se Satã passasse pela porta com seu rabo e chifres, Thomas sairia correndo.

Mas tanto Livia, a co-protagonista, com os demais personagens não ficam para trás. Chegar a ser divertido em vários momentos acompanhar a interação entre eles. Spencer, Ana, Lorenzo, Jonah e etc. Todos são personagens fortes e tem sua importância na estória. Nenhum é dispensável.

Concluindo, o livro é ótimo em diversos aspectos. A capa é linda e a diagramação dele é extremamente confortável, como qualquer livro da editora. Eu indicaria ele para basicamente todo mundo, poque apesar do público ser mais maduro ele não chega a ser uma leitura difícil – no sentido de ser lenta demais. – e tem bastante informações aditivas. Mas acho que os fãs de suspense vão gostar dele especialmente.

Então se você leu o livro deixe sua opinião e se não leu, espero que eu tenho deixado você com vontade.

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