Resenha: Os Desejos da Bela Adormecida – Anne Rice como A. N. Roquelaure

Postado em Atualizado em

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Por toda a sua jovem vida, o príncipe ouvira a história da Bela Adormecida, enfeitiçada para dormir por cem anos junto com seus pais, o rei e a rainha, e toda a corte, após furar o dedo em uma roca de fiar.

Sinopse: A princesa condenada a dormir por 100 anos, depois de furar o dedo em uma roca de fiar enfeitiçada, se torna vítima de um segundo feitiço – seu coração e seu corpo estão sob controle do príncipe que a despertou, que a declara sua escrava sexual e a leva para a corte de sua mãe, a rainha Eleanor, um universo que mistura prazer, dor e subserviência.

Ambientando em um universo onde príncipes e princesas são tudo, menos encantados, a releitura do clássico ‘Bela adormecida’ dos Irmãos Grimm não poderia ser mais polêmica. Claro, polêmica nunca foi problema para Anne Rice, com seus personagens extremamente charmosos, mas de caráter dúbio. Mas ‘Os desejos da Bela Adormecida’ chega a um patamar completamente diferente do que estamos acostumados da reverenciada autora de fantasia. Para um livro que foi lançado no começo dos anos oitenta – mais especificamente, 1983.- , um tempo em que eu nem chegava a ser um pensamento na cabeça dos meus pais; e mais importante, uma época em que apesar da censura não ser tão forte, o puritanismo ainda tinha uma presença consideravel, mesmo que camuflado em camadas de hipocrisia. Foi preciso um pouco mais do que coragem pra publicar esse livro.

Poucas coisas me chocam hoje. Eu sou uma consumidora desenfreada de livros, filmes e etc. Qualquer coisa que me chame atenção. Então apesar de ver comentários sobre o livro – que é o primeiro de uma trilogia. – eu me senti segura que não poderia ser tão chocante; Confesso que tomei como base ‘As Crônicas Vampirescas’ que tinha lido uns anos antes. Resultado, não só resolvi ler ele como comprei logo de cara os três livros lançados aqui pela Rocco.

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Ah, eu definitivamente passei por toda uma experiencia com essa releitura do clássico infantil; Não só estava extremamente errada sobre minha reação ao livro como o desenrolar dele. Ele não tem um início suave, então eu esperava um desenrolar mais confortável; Não foi exatamente assim.  Quanto mais eu lia a trajetória da Bela na corte do Príncipe mais eu me incomodava: as situações vão apenas piorando e se tornando mais descritivas; não existe espaço para folego. Não é um livro fácil, mas também não chega a ser um Maques de Sade ou D.H. Lawrence. Mas também não é algo para todo mundo. Você precisa estar aberto para tirar o melhor do enredo, que esconde as coisas boas e raras nas cenas mais difíceis. Eu cheguei a conclusão que o livro foi feito para tirar o leitor da zona de conforto; ele explora seus limites até o fim. Dá aquela sensação de desgaste emocional e ao mesmo tempo te intriga a saber mais sobre aquilo, o porque daquelas situações estarem ocorrendo; que diga-se de passagem é compreensível e funcional, mas extremamente exagerado.

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Concluindo, depois de muito pensar – muito mesmo. – cheguei a conclusão que gostei do livro. Ele é uma aposta corajosa; é bem escrito como qualquer coisa da Anne Rice e como a maioria dos livros dela ele passa bastante informação. O final é um pouco corrido e me deixou meio confusa em relação ao resto do livro, mas curiosa. Eu vou ler o segundo, não sei quando; até porque tenho outros como prioridade, mas vou ler. Eu indico pra quem gosta mesmo do gênero ou da autora. E não leia esperando um romance; não chega perto disso, apesar da personagem principal ter alguns afetos. Não espere nada dele, apenas deixe ele seguir seu caminho. E ele foi a melhor releitura de contos de fadas que já li, independe da trama.

E isso ai; espero que vocês gostem da resenha, estou muito orgulha que consegui escrever ela sem spoilers. Nesse livro foi especialmente difícil não dizer nada que influencie bastante na estória. Se você já leu deixe sua opinião e se não espero ter ajudado.

– Não tenha medo. Ninguém descobrirá que passamos a noite juntos – ele assegurou. 

Bela o encarou como se não o conhecesse, pois ela não temia ninguém no castelo, nem ele, nem o príncipe, nem a rainha.

Era sua própria mente que a aterrorizava. 

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2 comentários em “Resenha: Os Desejos da Bela Adormecida – Anne Rice como A. N. Roquelaure

    Cíntia Barreto disse:
    5 de maio de 2015 às 18:38

    Posso dizer que não sou muito fã de releituras elas normalmente acabam com minha infância. Senti minha infância destruída só pela premissa deste livro. É tão ruim me sentir assim, mas ao mesmo tempo fico mega curiosa querendo saber como é o livro um sentimento quase bipolar. Hahaha’

    Muito boa a resenha.

    Apenas Uma História

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    Eloisa Ribeiro disse:
    11 de maio de 2015 às 20:15

    Nossa, eu amei a resenha, nunca tinha ouvido falar, mais já entrou pra minha listinha haha ❤

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