Resenha: No Coração do Mar da Charlotte Rogan

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IMG_20150528_111322No verão de 1914, a Europa está à beira da guerra, mas o futuro de Grace parece caminhar para um destino seguro enquanto ela e o marido navegam rumo a Nova York. No entanto, uma misteriosa explosão afunda o navio e Grace se vê confinada em um barco salva-vidas com outras trinta e oito pessoas. À medida que o clima piora, os passageiros são forçados a escolher lados em uma disputa por poder. Durante três semanas, os sobreviventes planejam, esquematizam, disseminam intrigas e confortam uns aos outros enquanto suas mais profundas convicções sobre humanidade e divindade são postas em xeque.

Eu não costumo colocar a sinopse nas minhas resenhas, mas para este livro em particular ela se enquadra perfeitamente; principalmente o seguinte trecho “Durante três semanas, os sobreviventes planejam, esquematizam, disseminam intrigas e confortam uns aos outros enquanto suas mais profundas convicções sobre humanidade e divindade são postas em xeque” , que resume perfeitamente as primeiras partes de ‘No Coração do Mar’. O livro foi lançado pela Intrínseca em 2013 , apenas alguns meses depois do lançamento no EUA; o que sinceramente me deixou chocada, porque a escrita de Charlotte Rogan me leva a inícios dos anos 20 tão naturalmente que atribui o trabalho dela a um tempo mais distante que dois anos atrás. E apesar de ter comprado ele por engano – eu queria o No Coração do Mar do Nataniel Philbrick,e ainda quero .- não me arrependi nem um pouco em ter gasto meu tempo com ele. Tempo esse que está cada vez mais curto.

Acho que não cheguei a dormir, apenas deixei meus pensamentos à deriva, mergulhando ainda mais dentro de mim. Ali havia bolsões de calor – não exatamente lembranças, mas espaços onde os parâmetros da vida eram menos rigorosos, menos inflexíveis. Talvez essa tendência a pensar só em mim demonstrasse egocentrismo, mas eu tinha impressão de não possuir ego nem centro. Não passava de um corpo. Desempenhava mecanicamente as tarefas que me atribuídas, como se  tive entrando no mesmo estado de transe que eu observara na Sra. Cook. […]

O livro é narrado por Grace, uma jovem recém casada de 22 dois anos que foge da guerra indo para a America com o marido, Henry; Grace estava apenas começando a se reerguer depois de ter chegando ao fundo do poço devido ao suicídio do seu pai, que deixou ela, a irmã e mãe por conta própria em uma época que ser mulher não era tão fácil. Logo ela conhece Henry e ele abandona a noiva para se casar com ela e juntos embarcam no navio de luxo Empress Alexandra. Devido a um problema técnico não defino, há uma explosão e o navio afunda; Grace é colocada em um barco salva-vidas com pessoas que não conhece e sem Henry.

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Ela passa 21 dias no barco – e isso não é um spoiler, logo no primeiro capitulo a autora mostra que houve um resgate e Grace está bem. Ela narra esse período turbulento através de um diário devido o conselho de um dos seus advogados. Devido a isso os detalhes do período que ela passa no barco são limitados aos acontecimentos importantes e as vezes há pulos de tempo na estória contada pela protagonista. Nesse período a autora explorar as dificuldades básicas da situação: fome, frio, lotação e etc; e ela cria uma divisão entre as mulheres e os homens dentro do barco e mais á frente isso gera um confronto, que é um dos pontos mais importantes da estória.

Como estávamos todos ali, sobreviver parecia fácil, embora logo abaixo da superfície de nossas histórias espreitassem as histórias das pessoas que tinham sido vistas jogando bebês na água para salvá-los das chamas.

Dentre os personagens, há aqueles que apenas se mencionam e os que são presentes em todas as partes ou em sua maioria. Mas acho que isso se deve principalmente ao fato da narrativa ser focada no ponto de vista da Grace, consequentemente dos pessoas e situações que ela se interessa. Dentre eles está Henry, obviamente; ele é importante na vida de Grace, afinal é seu marido; mas também não tem um espaço insubstituível, como vemos ao final. Ele é mais uma sombra que acompanha a personagem. Há também a Hannah, que é um personagem suspeita de inicio e uma feminista não tão silenciosa quanto ela tentava ser – digo tentava, mas isso só no começo. Depois ela solta todas as estribeiras. Dentre outros de igual importância ou menor. Cada um tem seu espaço bem definido.

E em relação a personagem principal, ela anda na linha entre o destaque e a insignificância. Não digo isso como uma ofensa, porque não é; Grace varia de momentos de força a outros em que apenas se deixa levar. O que é bem razoável considerando a situação da personagem.

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O livro é muito rápido de ler, tem em torno de 230 paginas e a escrita da Charlotte Rogan flui facilmente. E apesar do enredo trazer um drama mais pesado em função da sobrevivência dos personagens, ela não cria situação exageradas; por isso é muito fácil de ler. Apesar que também é um ponto negativo. A autora poderia explorar mais as emoções dos personagens e do leitor para aproveitar a estória melhor.  Eu gostei, realmente, mas também não foi o melhor do gênero , nem perto. Mas eu com certeza vou ler algo da autora em algum momento sem questionar, principalmente ser for histórico.

O direitos do livro foram comprados para adaptação cinematográfica e vai ser produzido pela Anne Hathaway, que também vai atuar como Grace. Estou contando que o filme vá preencher as lacunas emocionais do livro, até porque a Anne é uma atriz bastante intensa. Eu não sei quando vai ser lançado nem em que pé anda o projeto, não consegui achar muito informação sobre, então é esperar e ver.

Se você já leu o livro deixe sua opinião – sério, não conheço ninguém que tenha lido e quero falar sobre algumas coisas. E se não, de uma oportunidade, até porque ele é super baratinho.

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5 comentários em “Resenha: No Coração do Mar da Charlotte Rogan

    Daniel disse:
    30 de maio de 2015 às 18:56

    Oi, Oi! Aqui é o Daniel do blog Café com Daniel (http://blogcafecomdaniel.blogspot.com). Encontrei seu blog e gostei dele, vou acompanhar! Sobre a resenha, eu amei. E tô muito a fim de ler esse livro que parece ter ação, romance, de tudo um pouco. Bjs

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      itgeekgirls respondido:
      30 de maio de 2015 às 22:05

      Ele tem um pouco de tudo mesmo , só ação que apesar de ocorrer tem seus momento certos. Obrigado por nos acompanhar. ❤️

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    Vanessa Vieira disse:
    30 de maio de 2015 às 21:01

    Olá! Como você escreve bem!!! Viajei na tua resenha. Parecia mesmo que eu estava lendo o livro. =) Fiquei com vontade de conhecer a história de Grace com mais detalhes. Minha primeira vez no teu blog, mas voltarei sempre! Adorei te conhecer. Livro anotado aqui na minha lisa de desejados! (=

    Seguindo da page e no twitter.
    Bjus!

    http://www.pensamentosvalemouro.com.br

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      itgeekgirls respondido:
      30 de maio de 2015 às 22:03

      Obrigada ❤️ pode ler sem medo, é uma leitura muito gostosa e a Grace vale a pena conhecer. Ela dá um passo fora do padrão do gênero que é perfeito.

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    Tai Lacerda disse:
    31 de maio de 2015 às 13:03

    Olá, Evellyn! Estou encantada com você. Conseguiu trazer para a resenha a essência do livro, selecionando trechos que me fisgaram. Adorei a resenha! Vou continuar acompanhando tudo, viu?

    Abraço 🙂

    Curtido por 1 pessoa

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